quinta-feira, 11 de abril de 2013


hoje
e apenas
hoje
eu te permito
ficar
bagunçar
meus porquês
e escolhas
amanhã
quando o dia
chegar e
a ressaca
passar
te sepulto
outra vez mais...

domingo, 17 de fevereiro de 2013



                                               Para não dizer adeus


Com a ponta dos dedos massageia os pés.Devagar,a suavidade é precaução,a dor é tanta que teme a si mesma.
Nem lembra a última vez que necessitou aliviar a dor .Há muito a dor era tão constante que já sentia-se anestesiada.Hoje a sentira novamente.Estava viva.
Atira-se na cama,após longos minutos de massagem.O ventilador não era suficiente.Olha  o quarto ao redor ,sorri,nada disto importa,o conforto vinha de dentro,vinha da dor.Sentir-se viva novamente era bem mais que um quarto de hotel cinco estrelas com climatização e serviço de quarto. Rola na cama,de um lado para o outro,como que buscando encontar no emaaranhado de lembranças ,uma! A mais perfeita para o momento,a palavra que a memória nunca apagou,o toque que a pele sentiu a vida inteira.O olhar,a busca,a inspiração,a loucura para continuar.
Aos poucos todas as imagens voltam aos seus lugares e tudo reinicia.A mente é rápida ,a fuga é vital.A vida não espera.Tem sede de vida.E sabe que não conseguirá mais fugir de sua fuga. Sente a música sem ouví-la "hay cosas que te ayudan a vivir".
Foi assim a vida inteira,ou quase.Desde aquele inverno...
Abre os olhos,as pernas agora é que estão doloridas.Nem sentiu adormecer.As pernas dobradas para fora da cama formigavam.Levanta-se ,abre a janela.Deixa o sol invadir o quarto e tocar sua pele.As ruas estreitas,tão sonhadas,estavam ali, a sua frente ,a sua espera.
Nunca haviam combinado esta viagem juntos,mas sabia que era tambem seu sonho.Conhecia-o quase mais que a si mesma.
Toma uma ducha e sai ao seu encontro.Quer encontar-se nesse lugar.
-Perdonáme señorita.
Ela sorri agradecendo o senhorita com os olhos e dá espaço na estreita calçada para aquele homem e seus filhos.
No café,escolhe a mesa perto à janela.
-Lo de siempre señora.
-Sorri novamente como que concordando. Com certeza a confundiu.
 - Su esposo no viene esta mañana?
Antes que possa responder,alguém chama a garçonete.
Olha confusa para a porta.Vê que a garçonete não estava a confundindo.Ela que não acreditara mais em sua loucura,em sua vida.
Ele abre a porta e sorri.Vai em sua direção. A beija suavemente.Estende a mão.
E como cúmplices de uma vida inteira,caminham lado a lado, as palavras sabem que o silêncio fala mais e ameniza a dor.
Do outro lado alguém os observa:
-Como ela está doutor:
Ainda o espera,todas as manhãs.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013




           

                     
                   
                   
                   


                 
               
                 

                   
                   




               na súbita lembrança
               me encontro
             
               alimento
               minha alma
               nestes longos
               dias de tempos
               fugidios
             
             
       
           

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013



       há
       apenas
       um jeito
       de me permitir
       ser feliz
       e saber disto
       é o que mais
       me assusta...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012




       Pétala por pétala,como brincadeira de infância. Um pseudo-romantismo que nos acompanha ,mesmo a vida dizendo que não. Assim foi descartando ao chão, página por página das tantas cartas guardadas e nunca remetidas. Há quanto tempo as guardava? Já havia perdido os anos, o tempo, as lembranças reais e as cartas permaneciam ali.
     Mas sempre há um tempo para tudo.Hoje resolvera esvaziar a alma.Como se pudera, mas mesmo assim a intenção ajudava a suportar o vazio.
     No final de uma das cartas ,uma frase de Oscar Wilde:" O segredo da vida está na arte."
     A vida, assim ,realmente perde todo o sentido,não há caminhos ,apenas o agora. Será tudo isto ,o que há por vir? Toda esta imensidão de abismos?
    Não pode aceitar e ao mesmo tempo conforma-se de uma maneira que ela mesma se assombra vez por outra quando um feixe de lucidez a invade. Mas nada permanece,nem mesmo a lucidez.Tudo retorna a seu lugar , a sua ordem cíclica, ao seu escuro.
   Volta para suas lembranças,não as quer resgatar ,apenas preencher um pouco o vazio que a vida foi cavando dia após dia, devagarinho como se esculpisse a dor.
   Vazios não se preenchem se não seguramos as rédeas da  própria vida com as nossas mãos. É pura ilusão, não pertencermos e acharmos que um outro alguém possa preencher nossos abismos e inquietações. Somos os autores,os protagonistas os sabotadores. Precisamos assumir, rasgar as cartas e as pétalas e encarar a vida.